O sonho mais antigo que se tem notícia, ele disse.
Um menino brincava com seus carrinhos de madeira sentado na ponta de um penhasco.
Como ele havia chegado até lá?
Importava? Era tudo tão maravilhoso.
Ele sabia do perigo de estar em um lugar tão alto, mas isso não o preocupava.
Seus brinquedos eram tão atraentes que nada mais o interessava.
Um tigre o encontrou.
Cercando o menino, sorrateiramente, o animal o encurralou.
Pular ou ser comido pela criatura?
Morrer ou morrer.
Os olhos do garoto encararam os olhos da fera penetrando de tal forma que ele conseguia ver a si mesmo de dentro da visão do inimigo.
Não houve muito tempo para se pensar.
O bicho avançou como uma serpente dando o seu bote.
O garoto foi empurrado pelo próprio medo rumo ao seu destino fatal.
Enquanto caía, podia sentir um terrível frio na barriga e a angústia de nunca mais poder brincar novamente.
Se sentiu inútil por não ter enfrentado o tigre e covarde a ponto de não encarar o chão, já que caía olhando para as pálidas nuvens.
Se sentiu inútil por não ter enfrentado o tigre e covarde a ponto de não encarar o chão, já que caía olhando para as pálidas nuvens.
Caiu.
Não morreu.
Acordou.
